Debate na Band: quem perdeu foi o eleitor
O debate presidencial realizado na noite deste domingo (18), na TV Bandeirantes, entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), deixou uma pergunta que merece ser feita: quem realmente ganhou alguma coisa com aquele confronto?
Na minha avaliação, o grande prejudicado foi o eleitor brasileiro.
O que deveria ser uma oportunidade para conhecer melhor as propostas, comparar projetos e avaliar quem está mais preparado para enfrentar os desafios do país acabou marcado por ataques pessoais, acusações, provocações e respostas que nem sempre esclareceram as questões levantadas. A cobertura do encontro também destacou o predomínio dos confrontos sobre a apresentação de propostas concretas.
E isso é preocupante.
O Brasil tem problemas demais para que um debate presidencial seja reduzido a uma disputa de acusações.
A população quer saber como o próximo presidente pretende melhorar a saúde pública, combater a criminalidade, gerar empregos, controlar o custo de vida, ampliar as oportunidades para os jovens e garantir uma educação de qualidade. Quer entender o que cada candidato pretende fazer, quanto suas propostas vão custar e de onde virão os recursos para colocá-las em prática.
Não basta apontar os erros do adversário. É preciso apresentar soluções. Não basta fazer acusações. É necessário esclarecer os fatos e responder às perguntas. E não basta prometer mudanças: o eleitor merece conhecer os caminhos para que elas aconteçam.
Dois presidenciáveis, uma responsabilidade maior
Lula e Flávio Bolsonaro chegaram ao debate com a responsabilidade de apresentar suas ideias a milhões de brasileiros. Por isso, espera-se dos dois uma postura compatível com a importância do cargo que disputam.
Questionamentos duros fazem parte da democracia. Cobrar explicações também. O problema começa quando a provocação ganha mais espaço do que o argumento, quando a acusação substitui a explicação e quando a disputa pela imagem pública se sobrepõe à discussão dos problemas nacionais.
O eleitor não precisa de candidatos que concordem em tudo. Precisa de candidatos que saibam divergir com argumentos, responder com clareza e apresentar propostas que possam ser examinadas pela sociedade.
Afinal, governar um país exige muito mais do que vencer um confronto diante das câmeras.



Publicar comentário