Nesta segunda-feira 03, a morte do inesquecível Chico Arara completa 01 ano

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    Radialista, blogueiro, poeta, político, em seus programas Cantinho do Rei e a Verdade, na rádio Sertão FM, com estilo próprio e sempre cobrando providências das autoridades, Henrique Augusto de Miranda imortalizado como  Chico Arara cativou o público, que via nele a sua voz.

    Restou a saudade e a uma voz que representava milhares de vozes se calou, “fique em paz grande Chico e olhe por nós de onde você estiver”.

    A UM AUSENTE

    Tenho razão de sentir saudade,
    tenho razão de te acusar.
    Houve um pacto implícito que rompeste
    e sem te despedires foste embora.
    Detonaste o pacto.
    Detonaste a vida geral, a comum aquiescência
    de viver e explorar os rumos de obscuridade
    sem prazo sem consulta sem provocação
    até o limite das folhas caídas na hora de cair.

    Antecipaste a hora.
    Teu ponteiro enlouqueceu, enlouquecendo nossas horas.
    Que poderias ter feito de mais grave
    do que o ato sem continuação, o ato em si,
    o ato que não ousamos nem sabemos ousar
    porque depois dele não há nada?

    Tenho razão para sentir saudade de ti,
    de nossa convivência em falas camaradas,
    simples apertar de mãos, nem isso, voz
    modulando sílabas conhecidas e banais
    que eram sempre certeza e segurança.

    Sim, tenho saudades.
    Sim, acuso-te porque fizeste
    o não previsto nas leis da amizade e da natureza
    nem nos deixaste sequer o direito de indagar
    porque o fizeste, porque te foste.

    Carlos Drummond de Andrade

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