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As Farsas eleitorais no Maranhão

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Em abril de 1998, o advogado Miguel Cavalcanti Neto, ex-amigo de Sarney e seu ex-diretor comercial no jornal O Estado do Maranhão, prestou um depoimento em que inclui o nome do ex-presidente da República numa farsa eleitoral grotesca. A farsa é a seguinte: às vésperas da eleição para governador do Maranhão, em novembro de 1994, um tal de Anacleto Pacheco apareceu acusando o então candidato a governador, Epitácio Cafeteira, de ser mandante do assassinato de um ex-funcionário da Vale do Rio Doce, José Raimundo dos Reis Pacheco. A denúncia, ecoada nos programas eleitorais, teve efeito avassalador. Roseana Sarney, que estava 12 pontos atrás de Cafeteira, disparou nas pesquisas e ganhou a eleição com vantagem de 1% dos votos.

“Essa calúnia foi decisiva para eu perder aquela eleição”, relembra Cafeteira. A farsa foi desmascarada em seguida, quando o “defunto” José Raimundo dos Reis Pacheco apareceu em público gozando de plena saúde. As investigações revelaram que o advogado Miguel Cavalcanti Neto participara da farsa. Ele recebeu o denunciante, o tal Anacleto, e encaminhou a denúncia à Justiça, produzindo a peça jurídica que Roseana exploraria nos dias finais de campanha. O advogado, no entanto, sempre negou que soubesse que o assassinato era uma fraude. No depoimento de abril de 1998, o advogado deu um dado adicional. Disse que abriu as portas de seu escritório para o falso denunciante a pedido de José Sarney. “Ele me ligou e me pediu que recebesse esse tal Anacleto. Foi o que eu fiz”, diz. Irritadíssimo, Sarney admite que conhece o advogado, mas nega que lhe tenha feito o pedido. “Nunca recomendei ninguém a ele, não tive nenhuma influência nisso”, disse Sarney. O ex-presidente acrescentou que o advogado seria “estelionatário condenado” e que poderia estar querendo chantageá-lo com a acusação.

Cavalcanti Neto, de fato, teve problemas com a polícia. Em junho de 1994, chegou a ser preso e, mais tarde, acabou sentenciado à prisão domiciliar sob acusação de ter desviado dinheiro de contas particulares numa agência do Banco do Brasil em Fortaleza. Mas seus extratos telefônicos apóiam sua versão. Ali, constata-se que, entre os dias 17 de outubro e 3 de novembro de 1994, período em que a farsa era montada, o telefone do advogado recebeu e fez chamadas para o celular de Sarney, o comitê eleitoral de Roseana e o gabinete de Sarney no Senado. Esses contatos não são provas de que a família Sarney tenha algum tipo de responsabilidade na armação da trama. Mas mostram que, na época, Sarney não se incomodava de falar com um sujeito tão enrolado com a polícia e a Justiça. 

Fonte: Veja on-line

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